O que você pode pedir
A maioria das pessoas só tenta obter o prontuário quando precisa dele para algo: uma segunda opinião, um novo especialista, um pedido ao convênio, uma mudança de país. Aí descobrem que ninguém explicou o processo.
A boa notícia é que esse direito não é um favor. Está previsto em lei, com prazos e limites sobre o que pode ser cobrado.
Nos Estados Unidos, o direito de acesso da HIPAA (45 CFR 164.524) abrange as informações de saúde que um prestador guarda sobre você no que as normas chamam de designated record set — na prática, o seu prontuário.
Isso inclui radiografias e outras imagens diagnósticas. É a parte que as pessoas mais costumam supor que não podem ter. Podem. As imagens de radiologia fazem parte do prontuário, não são um favor à parte que o setor de imagem concede.
Você também pode pedir a forma e o formato que quiser, e o prestador deve atender se puder produzi-lo assim com facilidade. A única ressalva prática que as normas reconhecem: os arquivos de imagem são grandes, então o meio de entrega — um disco, um download em portal, um HD que você fornece — é algo que você combina com eles.
Como pedir
Peça a quem guarda o prontuário. Para imagens, é o hospital ou o centro que fez o exame, não o médico que o pediu.
Seja específico, porque "enviem o meu prontuário" convida a uma resposta parcial:
- Diga o que você quer. Laudos, imagens, resultados de laboratório, documentos de alta: nomeie-os, com datas ou um período.
- Diga o formato. Para imagens, peça os arquivos DICOM, não fotos impressas. O DICOM é o dado original; qualquer outra coisa é uma cópia achatada com a qual um médico não consegue trabalhar direito.
- Diga como quer receber. Download em portal, disco ou um pendrive que você fornece.
- Faça por escrito e guarde uma cópia com a data. Isso inicia a contagem do prazo e é o que você vai precisar se o prazo passar.
Muitos hospitais têm formulário próprio de solicitação. Use-o, se existir: ele vai para o setor certo.
Quanto tempo leva
Pela HIPAA, o prestador deve atender o seu pedido em até 30 dias corridos. Pode tomar uma prorrogação de até mais 30 dias, e somente se lhe der uma declaração por escrito do motivo do atraso.
Esse é o teto legal, não a espera normal. Os prontuários muitas vezes chegam mais rápido, e um download em portal pode ser imediato.
Quanto pode custar
É aqui que mora a maior parte da confusão, então vale ser preciso.
Um prestador pode cobrar uma taxa razoável, baseada no custo. O que essa taxa pode incluir é limitado:
- Mão de obra para copiar — mas apenas o trabalho de fazer e entregar a cópia, depois que a informação já foi localizada e reunida.
- Materiais (um disco, um HD) e envio, se você os pediu.
O que não pode incluir: o custo de buscar o seu prontuário, recuperá-lo ou revisar o pedido. Esse trabalho não pode ser cobrado de você.
Você pode ter visto a cifra de US$ 6,50 citada como o máximo. É uma leitura errada, e o HHS publicou um esclarecimento a respeito. Os US$ 6,50 fixos são uma opção que o prestador pode escolher em vez de calcular os custos reais de cópias eletrônicas de prontuários eletrônicos. Não é um teto para todo pedido.
Se recusarem ou ficarem em silêncio
Se um prestador negar o acesso ou o prazo passar sem resposta:
- Peça por escrito o motivo. Há fundamentos legais restritos para negar, e o prestador tem de dizer qual se aplica.
- Escale dentro da organização. Peça pelo nome o encarregado de privacidade ou o setor de gestão de informações de saúde.
- Apresente uma reclamação ao HHS Office for Civil Rights, que faz cumprir o direito de acesso. É gratuito e você não precisa de advogado.
Se você está no Reino Unido
O arcabouço é diferente, mas o direito é comparável. Pelo Data Protection Act 2018 e pelo UK GDPR, você faz um pedido de acesso do titular a quem guarda o prontuário — o seu clínico geral, o hospital, um prestador privado.
- O prazo é de um mês corrido, prorrogável por até mais dois meses se o pedido for complexo ou você tiver feito vários.
- Não há cobrança, exceto quando um pedido é manifestamente infundado, excessivo ou repetitivo.
- As reclamações vão ao Information Commissioner's Office.
Se você está no Brasil
Os detalhes acima descrevem o sistema dos EUA e do Reino Unido. No Brasil, a LGPD (Lei nº 13.709/2018) garante ao titular o acesso aos seus dados pessoais, entre eles os dados de saúde. Os prazos e o procedimento dependem de cada serviço, então a forma mais segura é perguntar ao próprio hospital ou centro como eles recebem o pedido. O restante deste guia, o que pedir, em que formato e como guardar, vale igual.
O que chega, e o que fazer com isso
Espere uma de três coisas: um download em portal, um disco ou papel. Os laudos vêm em PDF ou impressos. As imagens vêm como arquivos DICOM — centenas deles, muitas vezes sem extensão, normalmente com um programa visualizador que não funciona.
Duas coisas que valem ser feitas no dia em que chegar:
- Copie em um lugar seguro. Discos riscam e portais expiram. A pasta DICOM é o original e é o que qualquer médico vai pedir.
- Confira se abre. Se o visualizador que vem junto não inicia, é o software que está falhando, não as suas imagens: o hospital deu um CD e ele não abre explica o que fazer.
Antes de encaminhar qualquer coisa a um médico de outro lugar, a uma seguradora ou a um fórum, lembre-se de que os arquivos DICOM carregam dentro o seu nome, a data de nascimento e o ID de paciente. O visualizador de metadados mostra exatamente o que os seus dizem, e o anonimizador os remove.
Fontes
- 45 CFR 164.524 — Access of individuals to protected health information, eCFR. O direito de acesso da HIPAA.
- Data Protection Act 2018, legislation.gov.uk. O caminho no Reino Unido.
Perguntas frequentes
- Tenho direito a uma cópia do meu prontuário?
- Sim. Nos Estados Unidos, o direito de acesso da HIPAA (45 CFR 164.524) abrange as informações de saúde que um prestador guarda sobre você e inclui radiografias e outras imagens diagnósticas. No Reino Unido, o equivalente é um pedido de acesso do titular (subject access request) segundo o Data Protection Act 2018. No Brasil, a LGPD prevê o acesso do titular aos seus dados pessoais.
- Quanto tempo um hospital pode levar para enviar o meu prontuário?
- Pela HIPAA, 30 dias corridos, com uma prorrogação de até mais 30 que exige uma explicação por escrito. No Reino Unido o prazo é de um mês corrido, prorrogável por mais dois meses em pedidos complexos ou múltiplos.
- Podem cobrar por uma cópia do meu prontuário?
- Nos EUA, uma taxa razoável baseada no custo, que cubra o trabalho de copiar, os materiais e o envio, mas não o custo de buscar ou revisar o seu prontuário. Os US$ 6,50 muito citados são uma tarifa fixa opcional, não um teto. No Reino Unido normalmente não há cobrança.
- Que formato devo pedir?
- Para imagens, peça os arquivos DICOM em vez de fotos impressas. O DICOM é o dado original; qualquer outra coisa é uma cópia achatada com a qual um médico não consegue trabalhar direito.