O que você está vendo
Uma ressonância do joelho não é uma imagem só. São várias séries — conjuntos de cortes finos feitos em direções diferentes e com parâmetros diferentes — e o radiologista as lê todas em conjunto. Se você abrir o exame por conta própria, a primeira coisa a entender é que série está à sua frente.
Cada série tem uma descrição curta, que costuma dizer duas coisas:
- O plano. SAG (sagital) corta o joelho de lado, a vista clássica dos ligamentos cruzados e da parte da frente e de trás de cada menisco. COR (coronal) corta de frente e mostra os ligamentos colaterais e os dois meniscos lado a lado. AX (axial) corta de cima, onde se veem melhor a patela e a cartilagem atrás dela.
- A sequência. T1 é boa para a anatomia e para a medula óssea. PD (densidade de prótons) mostra os meniscos e ligamentos em detalhe. FS, FAT SAT ou STIR indicam que o sinal da gordura foi suprimido, de modo que o líquido aparece brilhante: o líquido articular, uma contusão óssea, um ligamento rompido que se enche de líquido.
Então SAG PD FS é uma vista lateral em que o líquido é brilhante. É a série que a maioria das pessoas quer ver primeiro.
Como é o normal
Saber o que é normal é a maior parte do trabalho, porque o anormal se define em relação a ele.
- Os meniscos são uniformemente escuros em todas as sequências. Nos cortes laterais mais externos parecem uma gravata-borboleta; mais perto do centro, dois triângulos escuros, um na frente e outro atrás.
- O ligamento cruzado anterior (LCA) vai na diagonal da parte de trás do fêmur à frente da tíbia, e é visto em alguns cortes sagitais como uma faixa escura, levemente listrada. O cruzado posterior (LCP) é uma curva mais grossa e mais escura atrás dele.
- Os ligamentos colaterais, nos lados interno e externo do joelho, são linhas escuras finas nas imagens coronais.
- A cartilagem é uma camada cinza fina que cobre as extremidades dos ossos; a medula óssea é brilhante no T1 porque contém gordura.
- Um pouco de líquido articular é normal. Todo joelho tem algum.
Olhar as imagens ajuda a acompanhar a conversa com o seu médico. Não permite que você se diagnostique: a mesma mancha cinza pode ser uma variante normal, um artefato de movimento ou um achado real, e distingui-los é exatamente o que um radiologista é treinado para fazer.
As palavras do laudo
Os laudos do joelho percorrem estrutura por estrutura, geralmente em ordem fixa: meniscos, ligamentos, cartilagem, osso, líquido e partes moles. Estes são os termos mais frequentes:
- Ruptura meniscal — uma linha de sinal mais brilhante dentro do menisco que alcança a sua superfície. O laudo costuma dizer onde (o corno posterior do menisco medial é o lugar mais comum) e a forma: horizontal, radial, vertical, complexa, em alça de balde (um fragmento virado para fora do lugar). Os radiologistas geralmente querem vê-la em mais de uma imagem antes de chamá-la de ruptura.
- Degeneração intrassubstancial ou sinal que não alcança a superfície articular — sinal mais brilhante que fica dentro do menisco. É uma alteração de desgaste, comum com a idade, e não é uma ruptura.
- Entorse ou ruptura parcial de um ligamento — o ligamento está íntegro, mas espessado ou cercado de líquido. Ruptura completa ou ruptura de espessura total — as fibras estão interrompidas.
- Edema da medula óssea ou contusão óssea — líquido no osso depois de um impacto, sem fratura. Depois de uma lesão por torção, uma contusão no lado externo do fêmur e na parte de trás da tíbia é uma companheira clássica da ruptura do LCA, e por isso o laudo pode mencionar as duas.
- Condromalácia ou defeito condral — a cartilagem está amolecida, afinada ou ausente em uma área. Costuma ser graduada de 1 a 4, da alteração do sinal à perda até o osso.
- Derrame articular — mais líquido que o habitual na articulação. Pequeno, moderado ou grande.
- Cisto de Baker (cisto poplíteo) — uma bolsa de líquido articular atrás do joelho. Muito comum, e geralmente consequência de outra coisa na articulação, não um problema por si só.
O número que vale conhecer
As rupturas de menisco são muito mais comuns que a dor no joelho.
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine em 2008 examinou os joelhos de 991 adultos de 50 a 90 anos, escolhidos na população geral de Framingham, Massachusetts — não pessoas que tinham ido ao médico por um problema no joelho. Dependendo da idade e do sexo, entre 19% e 56% tinham uma ruptura de menisco, e 61% das pessoas com uma ruptura não tinham sentido dor, incômodo ou rigidez naquele joelho durante o mês anterior.
Isso não torna a sua ruptura irrelevante, sobretudo depois de uma lesão clara em um joelho mais jovem. Significa que a imagem sozinha não pode dizer se a ruptura é o que dói, e que "ruptura meniscal degenerativa" em um joelho mais velho costuma ser a descrição do envelhecimento.
Perguntas que valem levar à consulta
- O que o laudo descreve corresponde a onde e como o meu joelho dói?
- A ruptura é descrita como degenerativa ou como resultado de uma lesão?
- Há algo fora do lugar — um fragmento deslocado, uma ruptura em alça de balde — ou está estável?
- Isto muda o que vamos fazer, ou é algo para registrar e acompanhar?
Se o laudo como um todo for difícil de acompanhar, comece por como um laudo radiológico é estruturado: a impressão no final é onde o radiologista diz quais desses achados importam. E se você tem o disco, mas não consegue abri-lo, veja o que fazer com o CD do hospital.
Fontes
- Englund M. et al. Incidental meniscal findings on knee MRI in middle-aged and elderly persons. New England Journal of Medicine, 2008. Os números dos 991 adultos de Framingham vêm daqui.
Isto explica vocabulário, não o seu joelho. Se um achado explica os seus sintomas é algo que exige alguém que possa examiná-lo e que conheça o seu histórico.
O que o ExplainMyScan faz é o passo anterior: você envia o seu laudo, conta o que lhe preocupa e recebe a explicação em linguagem simples, para chegar à consulta entendendo o que tem em mãos. Ele não faz diagnóstico e não substitui o seu médico.
Perguntas frequentes
- Qual sequência mostra melhor uma lesão no joelho?
- As sensíveis a líquido com supressão de gordura, muitas vezes identificadas como PD FS, T2 FS ou STIR. Elas escurecem a gordura, de modo que o líquido e a contusão óssea se destacam como áreas brilhantes. O radiologista lê todas as sequências em conjunto; nenhuma sozinha basta.
- Como é uma ruptura de menisco na ressonância?
- O menisco normalmente é uniformemente escuro. Uma ruptura é uma linha de sinal mais brilhante dentro dele que alcança a superfície do menisco. Um sinal mais brilhante que fica por dentro e não alcança a superfície costuma ser descrito como degeneração, não como ruptura.
- Uma ruptura de menisco no meu laudo é sempre a causa da minha dor?
- Não necessariamente. Em um estudo com 991 adultos de 50 a 90 anos, a maioria dos que tinham uma ruptura de menisco não havia sentido dor no joelho no mês anterior. Se uma ruptura explica os seus sintomas é algo que se decide examinando você, não pela imagem sozinha.
- O que é uma contusão óssea em uma ressonância do joelho?
- Edema da medula óssea: líquido no osso depois de um impacto ou de uma torção, sem linha de fratura. Aparece como uma área brilhante nas imagens com supressão de gordura e costuma desaparecer em semanas a meses.